Gravidez na Adolescência Depoimentos de Jovens

A gravidez na adolescência é um assunto sério: anualmente, estudos mostram que cerca de 300 mil adolescentes tornam-se mães, no país. A principal causa deste resultado ainda é a falta de informação por parte de algumas adolescentes: algumas meninas ainda conseguem não reconhecer a importância do uso do preservativo durante as relações sexuais, ou a funcionalidade da pílula anticoncepcional.

A gravidez na adolescência envolve muitas questões que vão além da saúde da jovem e do bebê: a interrupção dos estudos, na grande maioria dos casos, é uma dessas questões. Vale salientar ainda que grande parte das adolescentes começam a trabalhar cedo para arcar com o sustento de seus filhos.

Mas o que será que se passa na cabeça de uma gestante ainda adolescente? Para saciar tais dúvidas, reunimos dois depoimentos de meninas que vivenciaram – ou vivenciam – esta situação. Vale dizer que os nomes são fictícios, a fim de não expor as adolescentes. Leia e entenda:

Gravidez na Adolescência – Depoimentos

“Engravidei aos 17 anos porque tinha relações com o meu namorado e nem sempre usávamos camisinha. Eu nunca tinha tomado pílula, nem me preocupava com isso, achava que não ia acontecer nada comigo. Quando descobri, demorei dois meses para criar coragem de contar aos meus pais, porque a gente nunca conversou em casa sobre sexo, não tive orientação da parte deles. Tive a sorte de poder contar com o apoio dos dois e do meu namorado. Mesmo assim, fiquei chocada com o que tinha acontecido, minha vontade era sumir, morrer, não queria de forma alguma. Levou um tempo até eu aceitar o bebê. Terminei aquele ano no colégio e tive que parar de estudar, assim como o meu namorado. Arrumamos emprego e fomos morar na nossa própria casa. De uma hora para outra, minha vida mudou totalmente, tive que assumir um monte de responsabilidades, tudo o que a gente fazia era pensando no nosso filho. Sem querer, os amigos ficaram de lado porque as baladas, as bagunças tiveram que ser deixadas para trás. Hoje a minha filha tem sete anos e é super companheira, a razão da minha vida. Mas, por ter vindo na adolescência, foi muito difícil. Quando vejo uma garota grávida, fico triste, sei o quanto é sofrido. Ser mãe é bom, mas o melhor é esperar a hora certa.”Silvia, 24 anos.

“Estou grávida de oito meses e meio, minha bebê já vai nascer. Estou feliz, uma criança é sempre uma alegria. Mas, sabe, eu devia ter planejado isso, hoje vejo que errei. Me descuidei completamente com o meu namorado. A gente mantinha relações sexuais e eu não tomava pílula, nem ele usava camisinha. A verdade é que não pensamos nas conseqüências, no que poderia acontecer depois. Até que um dia eu percebi que estava meio enjoada e comendo demais. Minha mãe também desconfiou e decidiu me levar ao médico. E eu estava grávida mesmo. Meus pais ficaram do meu lado e não me forçaram a casar, eu continuo morando com eles, mas, mesmo assim meu namorado participa bastante. Nesse ponto, eu até tive sorte, porque tem muito cara que não dá a mínima e alguns pais chegam a expulsar a menina de casa. Comigo não aconteceu isso, a única coisa que percebo é um certo preconceito do pessoal na rua, ou mesmo na escola. As pessoas ficam me olhando torto, é bem ruim. Fora isso, tive que desistir do meu sonho de ser aeromoça e larguei o emprego para cuidar do bebê. Até o vestibular que eu planejei prestar ficou para uma outra vez. Se pudesse dar um conselho às adolescentes, diria para elas se prevenirem. O melhor é estudar, trabalhar, ter uma carreira para depois pensar em filho. Se você inverte as coisas, tudo fica mais complicado.”Carla, 17 anos.

Trabalhar a educação sexual nas escolas e principalmente em casa é uma das principais ferramentas de prevenção das gestações precoces. Acolher os adolescentes e incentivar o diálogo sobre o tema é uma atitude que deve se tornar comum e rotineira!

+ Confira: Riscos da Gravidez na Adolescência

Riscos da Gravidez na Adolescência

Em certa ocasião, o renomado Dr. Dráuzio Varella mencionou que o Brasil está vivendo uma séria epidemia de gravidez precoce. E há se concordar: as meninas brasileiras estão iniciando sua vida sexual cada vez cedo e totalmente sem preparo. Tal inexperiência pode resultar na contração de DST’s (doenças sexualmente transmissíveis) ou ainda em uma gestação não planejada.

Além de todos os fatores sociais já conhecidos (abandono de estudo, necessidade de trabalhar mais cedo do que de costume para sustentar a criança e preconceito por parte da sociedade), a gravidez na adolescência traz sérios riscos à saúde, tanto da mãe quanto do bebê.

Riscos da Gravidez na Adolescência

Riscos da Gravidez Precoce Para a Mãe e para o Bebê

Engravidar na adolescência causa danos e possíveis riscos de vida à mãe. Como o corpo das adolescentes ainda não está completamente formado, aumentando significamente as chances de anemia, pré-eclâmpsia e eclampsia propriamente dita.

Contraindo uma anemia, por exemplo, há chances de o feto nascer prematuro ou desnutrido. Já no caso da eclampsia, a gestante pode sofrer fortes convulsões, entrar em estado de coma ou até mesmo falecer.

Tais consequências são explicadas pelo fato da “competição” entre o feto e a gestante: enquanto a adolescente prossegue com seu desenvolvimento – já que ainda está em fase de crescimento – o feto, também em crescimento, não encontra as condições ideais para se desenvolver.

Vale dizer que a necessidade de um acompanhamento pré-natal se faz ainda mais necessária nas gestações de adolescentes: desta forma é possível acompanhar o crescimento do bebê de maneira saudável, avaliando precocemente e afastando riscos mais sérios.

Riscos Gravidez na Adolescência

Riscos Emocionais da Gravidez na Adolescência

Além dos riscos físicos, as gestantes adolescentes podem sofrer também com crises emocionais, causadas pela inexperiência, surpresa e nervosismo. Vale salientar que muitas das gestantes precoces possuem idades entre 12 e 17 anos e, a partir deste momento, precisam amadurecer rapidamente e arcar com novas responsabilidades.

A depressão pós-parto é um sinal claro de estado emocional desenvolvido pelas mães gestantes, juntamente à solidão e sensação de isolamento.

Gravidez na Adolescência e os riscos

Como Evitar a Gravidez na Adolescência?

Não há como negar que a informação é a melhor forma de prevenir uma gravidez indesejada durante a adolescência. Manter um diálogo aberto entre pais, filhos e educados é a maneira mais eficaz de reduzir os números de gestantes adolescentes.

Quanto aos métodos preventivos, temos:

  • Preservativo masculino ou feminino;
  • Diafragma;
  • Pílulas anticoncepcionais;
  • Espermicidas (em conjunto com os preservativos ou diafragmas).

Além de prevenir a gravidez na adolescência, tais métodos previnem também o contágio de doenças sexualmente transmissíveis, tais como AIDS, Sífilis, HPV, Candidíase e Gonorreia.

Gravidez na Adolescência e Suas Consequências

Apesar de estarmos no século XXI e com um mundo de informações ao nosso redor, ainda é extremamente alto o número de gestantes adolescentes. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil nascem cerca de 1 milhão de  crianças, sendo que 500 mil são de mães menores de 19 anos. Tais dados são preocupantes, pois, mesmo com toda a informação repassada por meio da televisão, internet, pais e educadores, a quantidade de mães adolescentes continua alta.

Psicólogos e estudiosos afirmam que apenas a reflexão sobre os riscos e consequências causadas por uma gravidez precoce pode, realmente, reduzir estes números. É preciso que as jovens atentem-se às consequências de uma gravidez precoce e entendam que esta não é a fase da vida ideal para gerar um filho.

Gravidez na Adolescência e Consequências

Gravidez Precoce e Indesejada: Quais as Consequências?

Para auxiliar na disseminação da informação e reflexão das jovens brasileiras, preparamos este artigo com as principais consequências da gravidez na adolescência. Se você é mãe ou pai, leia, entenda e dialogue com suas filhas. Se for parente próximo ou educador, faça mesmo. Agora se for uma adolescente, redobre sua atenção e entenda como a sua vida pode mudar e quais as possíveis consequências, caso torne-se uma gestante adolescente.

1- Problemas de saúde que agravam o ciclo gestacional, tais como hipertensão gestacional, anemia, partos prematuros e bebês com peso abaixo do ideal.

2- Abandono dos estudos, já que muitas mães precisam se dedicar integralmente ao futuro filho ou, em muitos casos, trabalhar para prover o sustento da criança. Em alguns casos, mesmo quem trabalha opta por interromper os estudos e se dedicar integralmente ao filho.

3- Relacionamentos instáveis com os parceiros, já que grande parte dos pais adolescentes não arca com a responsabilidade do filho, ficando a mãe totalmente dependente de pais e familiares.

4- Necessidade de parto cesariana, já que o corpo da mão adolescente ainda está em formação, sem aptidão para um parto natural.

5- Possibilidade de aborto. Encontrando-se em uma estrutura inadequada para a geração do filho, muitas adolescentes optam pelo aborto ilegal.

6- Descontrole emocional e depressão pós-parto.

Consequências Gravidez na Adolescência

Esperamos que este artigo auxilie na reflexão das consequências e riscos de uma gravidez precoce, indesejada e mal planejada. Lembre-se de que a informação e a prevenção são as principais ferramentas para controle da taxa de natalidade entre adolescentes.